Alexandre Garcia, um dos porta-vozes do jornalismo na Globo destila exclusivo e bem particular conceito de democracia
Adentramos então no conceito de democracia da Rede Globo de televisão. É sabido, não por todos e aí está o trunfo da Globo, que Hugo Chávez Frías foi eleito em dezembro passado com 63% dos votos. Chávez tem amplo apoio da população. O Estado venezuelano mobilizou a sociedade e tem utilizado a riqueza do petróleo para investir em programas sociais. A RCTV, por sua vez, pertence a um consórcio de empresários ligado a antiga direção da PSDVA, a companhia petrolífera venezuelana que outrora drenava suas receitas para encher os bolsos de magnatas. Foi a RCTV, junto a CNN e outras emissoras de menor porte, que planejou e executou a tentativa de golpe de Estado em 2002, que durou 48 horas e foi barrado pela pressão popular em Caracas. Para a jornalista Lourdes Zuazo, da Telesur, a atuação da RCTV é que se constitui um atentado à democracia. Zuazo afirma que esta emissora prega abertamente um golpe de Estado na Venezuela e não respeita a constituição do país. E que fique claro: não está se fechando um canal de televisão. A licença de atuação é que não será renovada porque a emissora foge à lei e prega a ilegalidade institucional. Alguém viu ou ouviu algum comentário sobre esses fatos na Rede Globo? Recordando o passado recente, onde se encontrava a voz da Rede Globo quando o país vivia sob o Regime Militar? Boas perguntas.
Temos então um conceito de liberdade e democracia bastante evasivo e seletivo por parte da Vênus Platinada. A rede televisiva que diariamente vomita montanhas de cretinices e pieguices é a mesma que assume um discurso presumivelmente sério acerca dos graves problemas nacionais. No baú da Globo cabe tardes de domingo chorosas no Domingão do Faustão com panegíricos de artistas e celebridades e reportagens sobre o aquecimento global. No entanto, para a emissora dos Marinhos as intempéries climáticas que o planeta enfrenta em decorrência da emissão de gases poluentes nada têm a ver com a concentração da renda mundial e a ambição consumista do capitalismo internacional que está fritando a Terra na frigideira dos lucros. É informação pela metade com discurso enviesado onde tudo se empana para disfarçar a realidade. Hugo Chávez então é o mal e o bem é representado no bom mocismo de araque interpretado pelas suas personalidades e jornalistas ventríloquos dos consensos das elites. Os problemas sociais são vistos como um mosaico sem forma. A propósito, a participação popular que a Rede Globo admite é quando põe em votação, a nível nacional, a escolha de quem vai sair ou ficar na casa-laboratório do Big Brother. Para a Globo, o interesse público se faz necessário quando se trata de pasteurizar a competição social mediante estratagemas de espertezas. Corpos torneados e conversas pueris ganham destaque numa sociedade de excluídos que a emissora transforma em sonhadores que podem ganhar um milhão ao se espelharem naqueles seres-ratos trancafiados numa mansão de luxo.

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